Kiyoshi Harada
Desde que a Enel assumiu o serviço público essencial de distribuição de energia elétrica na populosa São Paulo, cidade que mais cresce no mundo, a população paulistana vem amargando prejuízos materiais e morais.
Temos saudades do tempo da Eletropaulo e da Bandeirante que nunca deixaram a população mergulhada na escuridão, nem interrompendo os serviços nas lojas, nas indústrias, no comércio e no setor de prestação de serviços.
Naquela época as árvores também caiam sobre os fios elétricos, mas eram prontamente restaurados.
A queda de árvores ocorria não apenas por chuvas fortes e ventanias, mas também em função do comprometimento das suas raízes por ação dos cupins que não eram eliminados pelo poder público local.
A Enel desde que passou a operar no setor de distribuição de energia elétrica já causou prejuízos milionários à população paulistana.
Multas impostas pela Aneel não tem surtido o menor efeito, por conta da Advocacia Geral da União que vem se omitindo na cobrança dessas multas.
Nenhuma parte dos fabulosos lucros auferidos por essa concessionária alienígena é reinvestido na infraestrutura material e pessoal da empresa.
Apesar do notório crescimento da demanda, a Enel despediu uma parte considerável do seu quadro de funcionários, a fim de auferir lucros maiores à custa do pacato cidadão paulistano indefeso.
A Enel vem descumprindo sistematicamente as normas da Anel, da Lei de Concessões públicas, dos preceitos constitucionais da continuidade do serviço público e do princípio da eficiência na prestação de serviço público.
Mas, apesar dos pedidos do governo do Estado, do Município de São Paulo e do Ministério de Minas e energia para decretar a caducidade da concessão, a Anel se mostra indiferente, esperando que nada lhe acontece até o final do prazo de concessão que se estende até 2028.
O Prefeito Ricardo Nunes exibiu fotos de veículos estacionados no pátio da Enel durante os longos cinco dias em que mais de 2 milhões de pessoas ficaram sem energia elétrica.
Passados 10 dias a contar do primeiro dia da interrupção de energia elétrica existem, ainda, diversos bairros da cidade sem energia contínua. Em pleno céu de brigadeiro, ainda, persiste a interrupção de energia aqui e acolá.
Qual o motivo dessa inércia da Enel ante esse caos em que se transformou esta metrópole?
Não sabemos!
Há algo de podre no reino da Enel.
SP, 22-12-2025.
